Apesar de ser o menor bioma brasileiro, o Pantanal abriga grandes populações de onças-pintadas, jacarés, aves, peixes e outros animais. Essa abundância, que ajuda a tornar os encontros com a fauna mais frequentes, está ligada principalmente ao movimento das águas, capaz de transformar a paisagem e distribuir alimento ao longo do ano.
Especialistas ouvidos pelo Primeira Página explicam, no entanto, que a realidade é mais complexa: o bioma não lidera em quantidade de espécies, mas se destaca pelas grandes populações de animais que ainda consegue sustentar.
A explicação começa muito antes da chegada da água à planície e envolve a formação da Cordilheira dos Andes, o relevo quase plano, os sedimentos carregados pelos rios e um fenômeno conhecido como pulso de inundação.
Uma planície formada lentamente
O geógrafo e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Cleberson Ribeiro explica que o Pantanal é um dos sistemas biogeográficos mais recentes em formação e uma das maiores planícies de sedimentação do planeta.
A origem dessa estrutura está relacionada ao soerguimento da Cordilheira dos Andes, provocado pelo encontro entre as placas tectônicas de Nazca e Sul-Americana. O processo começou há dezenas de milhões de anos e contribuiu para a formação de uma grande área rebaixada no centro da América do Sul.
Essa bacia continua passando por um processo de subsidência, isto é, um rebaixamento gradual que permite o acúmulo constante de sedimentos transportados pelos rios.
Apesar de o processo geológico ser antigo, a configuração atual do Pantanal como área úmida é muito mais recente. Segundo o biólogo Gustavo Figueirôa, a paisagem inundável conhecida hoje possui menos de 10 mil anos.
A água que demora meses para atravessar o Pantanal
A baixa declividade é uma das principais características da planície. Em algumas regiões, a diferença de altitude é de poucos centímetros por quilômetro, fazendo com que a água avance lentamente e os rios formem curvas, conhecidas como meandros.
Diferentemente do que ocorre em áreas com corredeiras e cachoeiras, a água não encontra grandes desníveis para escoar rapidamente. Por isso, espalha-se pelas áreas mais baixas e pode permanecer nelas por longos períodos.
Grande parte desse volume não vem das chuvas que caem diretamente sobre a planície, mas das regiões mais altas da Bacia do Alto Paraguai. A água desce dos planaltos e chega gradualmente ao Pantanal.















