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Reciclagem

Startup transforma lixo orgânico em crédito de carbono e mira redução imediata de metano

Com modelo que remunera toda a cadeia de reciclagem, a Carrot atua como uma “camada tecnológica” para comprovar a destinação correta de resíduos e combater um dos gases mais poluentes do planeta.
Ecoadubos — Foto: Divulgação/Carrot

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Enquanto o mundo busca soluções para a crise climática por meio da transição energética, reflorestamento e financiamento climático, uma startup aposta em uma frente com impacto quase imediato: o lixo orgânico. A Carrot, empresa que atua na união entre a economia circular e o mercado financeiro verde, estruturou um modelo de negócios capaz de transformar restos de alimentos em “créditos ambientais”, combatendo diretamente as emissões de metano, que tem sido o grande vilão do aquecimento global.

O gás, gerado pelo apodrecimento do lixo em aterros sanitários sem oxigênio, é um dos maiores causadores do efeito estufa. Apesar do potencial poluidor, o descarte em aterros continua sendo a prática dominante porque ainda é a opção economicamente mais viável em comparação com a recuperação do material.

Esses resíduos orgânicos são responsáveis por cerca de 25% das emissões de metano globalmente. No Brasil, foram emitidos 21 milhões de toneladas apenas em 2024. conforme dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), rede ligada ao Observatório do Clima.

O “segredo” da separação na fonte

A solução proposta pela Carrot ataca a raiz do problema ao alterar a equação econômica que hoje favorece os lixões. A startup cria receita a partir da mitigação do metano, emitindo créditos de carbono e créditos de reciclagem. Esses ativos tornam os processos de compostagem e biodigestão viáveis financeiramente.

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“O problema hoje do resíduo sólido é que, quando ele mistura, acabou, ninguém vai pagar para limpar resíduo. O grande segredo para a economia circular é separar o resíduo orgânico e os recicláveis. Se você separa isso, você potencializa toda uma nova economia que hoje não existe”, diz Ian McKee, CEO da Carrot.

Além de evitar as emissões, a separação na origem resolve um problema crônico da reciclagem no Brasil. Ao eliminar o lixo orgânico, impede-se a contaminação de materiais como plástico e alumínio, melhorando drasticamente as condições sanitárias e a segurança dos trabalhadores nas cooperativas.

A urgência do metano

Diferentemente do gás carbônico, o metano permanece na atmosfera por um período mais curto, cerca de 12 anos, porém o potencial de aquecimento global é muito maior. Por isso, a redução imediata de suas emissões é vista como uma das estratégias mais eficazes para frear o aquecimento a curto prazo.

“Quando você planta uma floresta, ela leva décadas para capturar o carbono. No metano, você para de emitir nesse minuto”, explica McKee. “Você vê pouca ação no óleo e gás porque politicamente é muito difícil. E no agro é mais difícil ainda. O que sobra? Resíduos sólidos. É a grande oportunidade da gente desenvolver uma indústria nova”.

Impacto na prática e tecnologia

O modelo de negócios já colhe resultados expressivos. Atualmente, a Carrot atua em quatro operações de compostagem no Brasil, mitigando mais de 30 mil toneladas de CO2 equivalentes por mês. A iniciativa possui um forte viés social para além do ambiental: nas primeiras operações, 80% do valor obtido na venda dos créditos foi distribuído aos participantes da logística, desde zeladores até recicladores. Além de ter gerado 1.800 empregos diretos e indiretos nas primeiras operações.

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Na prática, a Carrot não opera caminhões nem pátios de compostagem. A empresa funciona como uma camada tecnológica que conecta, rastreia e valida toda a cadeia logística. “A nossa responsabilidade é garantir que o impacto ambiental aconteceu no mundo físico, validá-lo e trazer esse capital catalítico para os projetos”, diz Mckee.

O movimento da startup se antecipa a uma regulação crescente. No futuro, empresas como redes de varejo e supermercados precisarão comprovar suas iniciativas de economia circular para resíduos orgânicos por meio da Responsabilidade Estendida do Produtor (REP).

Com as negociações climáticas avançando para incluir a meta de Zero Waste (lixo zero) em eventos como a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas deste ano (COP 31), que ocorre na Turquia, a expectativa da Carrot é expandir rapidamente. Com mais 20 projetos em negociação, a empresa estima atingir a marca de 200 mil toneladas de mitigação anual de metano a partir de 2026, comprovando que é possível unir descarbonização e rentabilidade.

 

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