Dois problemas, áreas desmatadas e usadas para acessar clandestinamente o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Uma única solução: a restauração ecológica de 20 hectares de vegetação nativa de Cerrado e restinga. Essa é a equação por trás dos plantios de mudas liderados pelo Instituto de Pesquisa e Conservação de Tamanduás no Brasil no entorno do parque, realizado em parceria com o ICMBio. As ações se concentram no trecho conhecido como “Bexigoso”, usado por veículos off-road, quadriciclos, guias e turistas para entrar na área protegida sem a devida autorização.
“Por meio do plantio, vamos criar barreiras para fechar essas trilhas, com objetivo de redirecionar as pessoas à acessem o Parque Nacional somente pela entrada principal, onde acontece a fiscalização do ICMBio”, explica a médica-veterinária Flávia Miranda, fundadora e presidente do Instituto Tamanduá.
O plantio faz parte do projeto “Na Rota do TamanduAí”, em referência ao menor tamanduá do mundo, o tamanduaí (Cyclopes didactylus), que ocorre em porções da Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica e, claro, está presente no Maranhão. Com um corpo que mede em média 30 centímetros e pesa menos de 500 gramas, o pequeno mamífero possui hábitos noturnos e sofre principalmente com o desmatamento e a perda de habitat.
O projeto busca promover a conservação da biodiversidade em territórios considerados sensíveis do litoral maranhense, com destaque para os municípios de Barreirinhas, Paulino Neves e Tutóia, entre o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses e a Reserva Extrativista Marinha do Delta do Parnaíba.
As ações incluem também atividades de educação ambiental, pesquisa científica, turismo de base comunitária e geração de renda. Este último componente faz parte da estratégia de restauração, que comprou mudas nativas produzidas por moradores da região.
“A conservação da natureza contribui para a geração de emprego ao incentivar atividades como a produção de mudas nativas e o turismo de natureza, permitindo que as pessoas obtenham renda enquanto ajudam a restaurar o meio ambiente”, explica Felipe Saturnino, educador ambiental no Instituto Tamanduá.















