A presença crescente de javalis e javaporcos tem preocupado produtores rurais e autoridades ambientais em Mato Grosso do Sul. Considerados espécies invasoras, os animais causam prejuízos significativos às lavouras, degradam áreas de preservação ambiental e colocam em risco o equilíbrio dos ecossistemas onde se estabelecem.
Nas propriedades rurais, os impactos são percebidos principalmente na agricultura. Os animais atacam plantações desde a semeadura, consumindo sementes e derrubando áreas já desenvolvidas das lavouras.
Em uma propriedade de Fátima do Sul (MS), o produtor rural Pedro Scheffel relata prejuízos em uma área de milho e afirma que os ataques ocorrem durante todo o ciclo da cultura.
“No começo eles comem as sementes. Depois, quando o milho cresce, derrubam as reboleiras. Essas percas tiraram praticamente a lucratividade da lavoura.”
Além das perdas econômicas, os javalis também representam uma ameaça ambiental. Os animais revolvem o solo em busca de alimento, degradam a vegetação nativa, afetam nascentes e invadem Áreas de Preservação Permanente (APPs).
A presença da espécie ainda pode causar desequilíbrios ecológicos ao competir com animais silvestres por alimento e habitat.
Em algumas propriedades, produtores relatam aumento expressivo da população desses animais. O manejador Sérgio Roque afirma que a quantidade de javalis observada na área onde atua cresceu significativamente nos últimos anos.
“Aqui eu acredito que chegou a triplicar. A área é de nascentes e eles causam danos a essas nascentes.”
Diante dos impactos causados à agropecuária e ao meio ambiente, o Ibama autoriza desde 2013 o manejo populacional de javalis e javaporcos. Segundo a analista ambiental do órgão em Mato Grosso do Sul, Fabiane Gonçalves, a espécie não faz parte da fauna brasileira e seus impactos vão além das áreas produtivas.
“O javali não é um animal nativo do Brasil. Ele causa impactos severos à agropecuária, à vegetação, às nascentes e ainda compete com espécies da fauna brasileira.”
Para realizar o controle dos animais, os interessados precisam estar cadastrados no Cadastro Técnico Federal (CTF) do Ibama e solicitar autorização por meio do Sistema de Manejo de Fauna. O órgão ressalta que o manejo deve seguir as normas vigentes e que somente javalis e javaporcos podem ser abatidos.
ATENÇÃO: Espécies nativas, como catetos e queixadas, são protegidas pela legislação ambiental e não podem ser caçadas.
Com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre a presença desses animais e auxiliar no planejamento de ações de controle, a Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) lançou o Painel de Monitoramento de Suiformes.
A ferramenta reúne registros georreferenciados de javalis, javaporcos, porcos-do-mato, catetos e queixadas em diferentes regiões do estado. A partir dessas informações, será possível identificar áreas com maior incidência de ocorrências, acompanhar a dispersão das espécies e apoiar ações de monitoramento e prevenção.
Desenvolvido pela Aprosoja/MS, o sistema utiliza geotecnologia para transformar informações registradas diretamente no campo em uma base de inteligência territorial.
Como contribuir?
A plataforma foi criada para receber informações de produtores rurais, colaboradores das propriedades, engenheiros agrônomos, médicos-veterinários, técnicos e gestores do setor.
Os usuários poderão registrar avistamentos e danos causados pelos animais, incluindo localização, fotos, vídeos e informações sobre prejuízos observados em lavouras, cercas, estruturas de captação de água, áreas de preservação e sistemas de produção animal.
A expectativa é que a participação dos usuários ajude a construir um mapa mais preciso da distribuição dos suiformes em Mato Grosso do Sul, fortalecendo as estratégias de controle e mitigação dos prejuízos causados pela espécie invasora















