Com aproximadamente 185 mil hectares, o Parque Nacional do Iguaçu, no extremo oeste do Paraná, abriga o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do Paraná e um dos mais importantes do Brasil.
Um projeto coordenado por pesquisadores da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e de outras instituições se dedica a identificar e catalogar as grandes aves encontradas na unidade de conservação, como o uiraçu (Morphnus guianensis), um gavião endêmico da América Central e da América do Sul, avistado no parque em 2025.
O avistamento foi feito por meio de armadilhas fotográficas do Projeto Onças do Iguaçu, que tem como missão a conservação da onça-pintada; desde então, os pesquisadores da UFFS têm se dedicado especificamente a encontrar locais de reprodução e expandir a catalogação das espécies de aves de grande porte na região.
O uiraçu, uma das maiores e mais raras aves de rapina das Américas, é raramente avistado nessas áreas, mas sua presença indica alta qualidade ambiental, já que necessita de áreas contínuas de floresta e abundância de recursos para sobreviver.
Além do uiraçu, os pesquisadores concentraram esforços na busca por outras quatro espécies historicamente registradas na região: a harpia (Harpia harpyja), considerada a ave mais forte do planeta e a maior ave de rapina do Brasil; e outras três espécies de gavião: o gavião-de-penacho, o gavião-pato e o gavião-pega-macaco.
Segundo a revista Conexão Planeta, a primeira expedição de busca do projeto durou sete dias e percorreu áreas localizadas na borda do parque, nos municípios de Céu Azul, Serranópolis do Iguaçu e Foz do Iguaçu.
A equipe usou drones com sensores térmicos a fim de identificar a presença das aves nas copas das árvores por termoidentificação. Durante a primeira etapa da expedição, conseguiu registrar o gavião-pato e o gavião-de-penacho.
Havia evidências, inclusive, de nidificação, o que sugere sucesso reprodutivo da espécie na região e abre uma nova linha de pesquisa.
Segundo os pesquisadores, praticamente não existem registros recentes de harpias no Parque Nacional do Iguaçu ou em áreas próximas, e os poucos registros conhecidos remontam à década de 1980.
Além da harpia, o gavião-de-penacho também figura entre as espécies ameaçadas de extinção no território brasileiro, principalmente devido à perda de habitat causada pelas atividades de desmatamento e pela fragmentação da Mata Atlântica.
Essas aves exercem papel importante no equilíbrio dos ecossistemas ao controlar populações de mamíferos, aves e répteis e contribuem para a manutenção da estrutura das cadeias alimentares.
O Parque Nacional do Iguaçu é reconhecido como Patrimônio Natural Mundial pela UNESCO por seu papel estratégico na conservação da biodiversidade em ambientes florestais conectados, o que é fundamental para a manutenção de espécies de grande porte, como onças-pintadas, antas e as próprias aves de rapina.
Os pesquisadores pretendem retornar ao parque entre o fim de 2026 e o início de 2027 para ampliar o levantamento, desta vez priorizando áreas mais internas da unidade de conservação, com a instalação de câmeras sobre árvores que permitam acompanhar o processo reprodutivo das aves.
A intenção é coletar informações sobre o tamanho do território utilizado pela espécie, suas áreas preferenciais de alimentação, rotas de dispersão e necessidades de conservação, o que contribui para estratégias de manejo e proteção dessas aves.














