MENU

Urbanização

Ibase aponta desafios da urbanização de favelas do Rio diante da crise climática

Levantamento com 10 mil moradores identifica problemas de arborização, drenagem, saneamento e manutenção em 18 favelas da capital do estado
Parque Unidos, comunidade situada na região do Parque Columbia, no bairro da Pavuna, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação

publicidade

A urbanização de favelas do Rio de Janeiro precisa incorporar medidas de adaptação às mudanças climáticas. Esta é a conclusão de uma pesquisa realizad pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), que ouviu 10.001 moradores de 18 favelas cariocas entre 2022 e 2023 e entre 2025 e 2026 e identificou problemas relacionados à arborização, drenagem, saneamento e manutenção das intervenções urbanas.

Segundo o levantamento, 80,9% dos entrevistados não perceberam melhorias ou ações de arborização associadas às intervenções realizadas nos territórios. O estudo aponta que a presença de árvores pode contribuir para a adaptação às mudanças climáticas, especialmente em áreas densamente ocupadas e expostas ao aumento das temperaturas e a eventos extremos.

A falta de manutenção também aparece entre os principais problemas identificados pelos moradores. Entre os entrevistados, 26,6% apontam o sucateamento das redes de esgoto e drenagem, enquanto 24,3% identificam problemas na manutenção da rede de abastecimento de água e 22,4% nas ruas, escadarias e rampas.

A pesquisa também mostra que 49,1% dos entrevistados identificam moradores sem acesso garantido à água. Além disso, 36,9% afirmam que o abastecimento não ocorre diariamente nas residências e 34,2% apontam que parte da população ainda não possui acesso à rede regular de abastecimento.

Leia Também:  Novas regras de embalagem para menos resíduos e reciclagem mais fácil

O estudo relaciona os problemas de infraestrutura ao aumento da vulnerabilidade das favelas diante de chuvas intensas, enchentes e alagamentos. Para o Ibase, drenagem, saneamento, contenção de encostas, arborização e manutenção devem ser considerados de forma integrada nas políticas de urbanização.

Dados do SABREN/IPP de 2022 apresentados pela pesquisa apontam que o Rio de Janeiro possui 1.072 favelas cadastradas. Desse total, 159 são consideradas urbanizadas e 114 parcialmente urbanizadas. Cerca de 68% permanecem sem urbanização estruturada.

Entre as recomendações apresentadas pelo Ibase estão a ampliação de obras de drenagem e contenção de encostas, a manutenção permanente da infraestrutura, o monitoramento de riscos, a criação de sistemas de alerta e planos de contingência e a participação dos moradores no planejamento das intervenções.

“A crise climática exige uma nova concepção de urbanização. Arborização, drenagem, contenção de encostas e proteção diante dos riscos não podem ser elementos acessórios”, afirma Rita Corrêa Brandão, diretora executiva do Ibase e coordenadora geral da pesquisa.

A pesquisa “Novos Olhares sobre as Transformações Urbanas nas Favelas” avaliou os impactos e legados de programas como Favela-Bairro/Bairrinho e Morar Carioca a partir da percepção dos moradores, complementando os dados quantitativos com rodas de conversa nos territórios.

Leia Também:  IBAMA autoriza redução de vazão de água em Belo Monte a nível mínimo

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade