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Ações Ambientais

Greenpeace Brasil identifica mais uma Permissão de Lavra Garimpeira usada para “lavar” ouro extraído ilegalmente na Amazônia

PLG, pertencente à Cooperativa dos Garimpeiros da Amazônia (Coogam), declarou a retirada de 4,5 kg de ouro da área e movimentou mais de R$ 2 milhões na venda do mineral, mas monitoramento remoto e sobrevoo não encontraram atividade garimpeira;
“Arrotos de draga”, bancos de areia formados pelo acúmulo de sedimentos e rejeitos da operação das dragas de rio, localizados próximos à Ilha do Cururu na Terra Indígena Munduruku (PA). Foto: © Bruno Kelly / Greenpeace

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São Paulo, 17 de agosto de 2026 – O Greenpeace Brasil identificou mais um caso de Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) “fantasma”, usada para lavar ouro extraído ilegalmente na Amazônia. Trata-se da PLG 851561/2011, da Cooperativa dos Garimpeiros da Amazônia (COOGAM), no Alto Tapajós, em Jacareacanga, no Pará.

A PLG declarou a retirada de 4,5 kg de ouro, comprados pela F.D’Gold Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda, o que movimentou R$ 2,81 milhões em negociações em junho de 2026. A investigação do Greenpeace Brasil, porém, revela que não houve atividade garimpeira na área permitida.

Por meio da análise de imagens de satélite e radar, bem como sobrevoo de validação realizado em 27 de julho, o Greenpeace Brasil constatou que nenhuma das 5 dragas licenciadas para a extração de ouro esteve dentro dos limites estabelecidos para a atividade. Porém, ao contrário do que fora licenciado, a organização identificou que as dragas licenciadas estavam minerando fora dos limites autorizados pela Agência Nacional de Mineração e licenciado pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (SEMAS/PA).

Durante o sobrevoo, também foi possível identificar a formação dos chamados “arrotos de draga” ao longo do curso do rio Tapajós, bancos de areia formados pelo acúmulo de sedimentos e rejeitos da operação das dragas de rio. Em geral, eles alteram o curso natural do rio e dificultam a navegação. É nesses bancos de areia que se concentra o mercúrio usado no processo de amalgamação do ouro.

“Em junho, o Greenpeace Brasil publicou um relatório com uma investigação que identificou 98 PLGs com graves irregularidades. Agora, já são 99. É urgente que a Agência Nacional de Mineração identifique e cancele imediatamente essas PLGs Fantasmas. Quantas mais precisaremos identificar?”, afirma o coordenador da Frente de Povos Indígenas do Greenpeace Brasil, Danicley Aguiar. [veja o relatório abaixo]

Sobreposição à Terra Indígena Munduruku

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Além da PLG 851561/2011, a COOGAM conseguiu as licenças para outras duas PLGs nos limites da Terra Indígena Munduruku. O conjunto gera impactos sobre a dinâmica social e política do povo Munduruku, especialmente nas quase trinta aldeias que estão próximas dessas permissões. Indígenas relatam poluição sonora, aliciamento de aldeias e comprometimento do abastecimento público de água, relatos que foram ignorados no processo de licenciamento da atividade.

Há ainda um problema de origem no próprio ato de outorga. A Ilha do Cururu, sobreposta pelo polígono da PLG, é descrita como parte integrante da Terra Indígena Munduruku, conforme prevê o Decreto de 25 de fevereiro de 2004. Por isso, o Greenpeace Brasil sustenta que a outorga viola o parágrafo 7º do artigo 231 da Constituição Federal.

“O caso reitera a necessidade de a Agência Nacional de Mineração instituir uma força-tarefa capaz de identificar e cancelar de imediato as PLGs fantasmas que seguem servindo para inserir no mercado formal o ouro roubado de Terras Indígenas e Unidades de Conservação da Amazônia”, alerta Aguiar.

Imagens para uso

As imagens estão disponíveis neste link e foram feitas durante sobrevoo do Greenpeace Brasil em 27 de julho de 2026 na região da Ilha do Cururu, Terra Indígena Munduruku (PA).

Crédito dos vídeos: Camila Batista/Greenpeace Brasil. Crédito das fotos: Bruno Kelly/Greenpeace Brasil.

Metodologia

A análise integrou dados das licenças de operação emitidas pela SEMAS/PA, o histórico de arrecadação da CFEM, a estimativa do valor total das operações comerciais e o histórico de eventos processuais da ANM. A esses dados somaram-se o enquadramento socioambiental das poligonais de lavra garimpeira e os alertas de presença de dragas gerados pelo Papa Alpha, sistema de monitoramento remoto do Greenpeace Brasil.

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Na esteira do relatório sobre lavagem de ouro

Esta nova denúncia nasce da investigação apresentada no relatório “Lavagem de ouro na Amazônia: anatomia de uma fraude”, divulgado pelo Greenpeace Brasil em 1º de junho de 2026. O documento mostrou como a PLG, instrumento que atesta a procedência do ouro, vem sendo usada para dar aparência legal ao metal extraído de áreas protegidas, aproveitando falhas na fiscalização da ANM e a dispensa de pesquisa mineral prévia.

O relatório analisou 187 processos minerários registrados entre 2018 e março de 2026 e identificou 98 PLGs com irregularidades, responsáveis pela comercialização declarada de 25,3 toneladas de ouro no período, o equivalente a cerca de R$ 18,4 bilhões em valores atualizados do ouro 24k na primeira quinzena de maio de 2026.

A pesquisa descreve duas táticas principais de fraude: nos garimpos fantasmas, a área declara toneladas de produção, enquanto imagens de satélite e sobrevoos mostram floresta intacta ou atividade mínima, incompatível com o volume informado. Nos garimpos em escala industrial, várias PLGs concedidas no mesmo recorte territorial são exploradas como uma única operação, o que permite escapar do licenciamento ambiental mais rigoroso e das regras da mineração industrial.

Entre as recomendações do relatório estão a exigência de pesquisa mineral prévia antes da concessão de PLGs, com base no artigo 6º da Lei 7.805/89, e a identificação e o cancelamento imediato das PLGs que recolheram CFEM sem apresentar evidências claras de exploração. O Greenpeace Brasil também cobra transparência total sobre a Permissão de Lavra Garimpeira e uma fiscalização mais robusta da ANM.

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