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TAC da Carne Legal

Em dois anos, 8% do gado vendido a frigoríficos na Amazônia teve problema socioambiental

Empresas devem mostrar que não compram animais de áreas com desmatamento ilegal, terras indígenas, unidades de conservação ou fazendas com trabalho análogo à escravidão
As compras auditadas envolveram 26 milhões de cabeças de gado — Foto: Ernesto de Souza/Ed. Globo

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Quase 8% do gado vendido diretamente para frigoríficos da Amazônia Legal tiveram alguma inconformidade socioambiental entre 2023 e 2024, de acordo com o último ciclo de auditorias do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne na Amazônia. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (20/8) pelo Ministério Público Federal (MPF) e referem-se às vendas realizadas entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024.

O patamar, de 7,51%, precisamente, ficou acima do limite de tolerância de inconformidade estabelecido pela Procuradoria, de 4%. Pelo compromisso assumido pelos frigoríficos no TAC da Carne, as empresas devem mostrar que não estão comprando gado de áreas com desmatamento ilegal, de terras indígenas, de unidades de conservação ou de fazendas com trabalho análogo à escravidão.

Nem todos os frigoríficos na Amazônia Legal foram auditados. O MPF convoca as empresas mais relevantes do bioma em cada Estado para que façam auditoria. Os números são auditados nos últimos dois anos pelas empresas Grant Thornton, GeoMaster, BDO, TraceGreen, Prado Suzuki e Control Union.

As auditorias também identificaram não conformidades em outros 57% das compras, mas elas foram justificadas, segundo o MPF. As compras auditadas envolveram 26 milhões de cabeças de gado.

Nem todas as empresas convocadas pelo MPF fizeram suas auditorias. Para essas, foi feita uma análise automatizada dos dados com uma ferramenta que cruzou automaticamente dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e da Guia de Trânsito Animal (GTA) e que ainda realiza verificações, como a checagem de sobreposição com áreas de desmatamento mapeadas pelo Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Nessas empresas, a análise identificou que 64,8% das compras teve alguma irregularidade socioambiental.

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A análise feita até agora no âmbito do TAC da Carne refere-se apenas ao fornecimento direto de gado aos frigoríficos que atuam no bioma, e não inclui ainda as vendas de gado realizadas às fazendas de recria e engorda. A intenção do próximo ciclo de auditorias é avançar sobre a análise do fornecimento indireto de gado.

O Pará, primeiro Estado a realizar auditoria das compras de gado de seus frigoríficos, apresentou um índice de não conformidade de 5,4% das compras diretas de gado realizadas entre 2023 e 2024. Foi o segundo melhor índice da série histórica de auditorias do TAC da Carne no Estado, atrás apenas do período analisado entre julho de 2020 e dezembro de 2021, quando 4,8% das compras diretas estavam fora de conformidade.

O MPF convocou os 54 frigoríficos que atuam no Pará, mas 14 concluíram a auditoria de 2023 e 2024. Estas empresas representaram 89% dos animais para abate ou exportação no Estado. Nelas, o índice de conformidade variou entre 0% e 91,6%, mas apenas três empresas tiveram índice de inconformidade acima da média. Oito não tiveram nenhuma inconformidade.

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