Um filhote de tamanduá-bandeira com cerca de quatro meses de idade foi flagrado explorando o ambiente ao lado da mãe em uma fazenda próxima de Nova Andradina, na região da bacia do rio Paraná, em Mato Grosso do Sul. O momento raro foi registrado pela médica veterinária Débora Andrade Quintino, do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS), durante o monitoramento de animais acompanhados pelo Projeto de Conservação do Tamanduá-bandeira.
A cena chamou a atenção porque os filhotes permanecem ativos por períodos curtos ao longo do dia, tornando registros como esse incomuns e valiosos para pesquisadores.
A gravação foi feita em uma das áreas de estudo do projeto, onde os tamanduás são monitorados por meio de coletes equipados com sinais de VHF e GPS. Segundo Débora, o encontro aconteceu por acaso, justamente quando o filhote aproveitava um momento de atividade enquanto a mãe descansava.
“Parei para observar por um tempo. Chegando devagarzinho, em silêncio, com paciência e cuidado, foi possível ficar observando esse momento precioso e bem raro de atividade de um filhote tão pequeno”, contou a veterinária.
A pesquisadora explica que os filhotes dessa espécie costumam passar pouco tempo ativos durante o dia, o que aumenta a importância científica e o valor do registro.
“Foi muita sorte conseguir encontrar eles bem nesse momento em que o bebê interagia com a mãe e com o ambiente. Foi um presente”, afirmou Débora.
Tamanduá-bandeira é símbolo da fauna brasileira
O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) é encontrado em grande parte da América Latina, desde o nordeste da Argentina até Honduras. No Brasil, ocorre em praticamente todo o território nacional e é uma das espécies mais emblemáticas da fauna silvestre.
Uma de suas características mais marcantes é a grande cauda coberta por pelos, que lembra uma bandeira hasteada e inspirou o nome popular do animal. O corpo pode medir entre 97 e 120 centímetros de comprimento, enquanto a cauda varia de 65 a 90 centímetros. Os machos costumam ser maiores que as fêmeas, podendo pesar entre 31,5 e 45 quilos.
A espécie também se destaca pela pelagem cinza-acastanhada e pela faixa preta diagonal contornada por branco, que vai do peito até parte do dorso.
Outro detalhe impressionante é a língua, que pode alcançar até 60 centímetros de comprimento, ferramenta fundamental para capturar formigas e cupins, sua principal fonte de alimento.
Apesar do porte robusto e das garras poderosas utilizadas para abrir cupinzeiros, o tamanduá-bandeira não possui dentes e tem visão limitada. Para encontrar alimento e identificar possíveis ameaças, depende principalmente do olfato, considerado um de seus sentidos mais aguçados.














