O Brasil passou a ter a primeira Área de Patrimônio da Vida Selvagem em ambiente terrestre do mundo. O reconhecimento foi concedido ao Parque Ecológico Mico-Leão-Dourado, em Silva Jardim, no Rio de Janeiro, em 1º de agosto de 2026, durante as celebrações do Dia Internacional do Mico-Leão-Dourado, celebrado no dia seguinte.
A iniciativa integra o programa Wildlife Heritage Areas, desenvolvido pela Proteção Animal Mundial em parceria com a Aliança Mundial de Cetáceos. A proposta reconhece destinos onde a conservação da fauna, o bem-estar dos animais, a participação das comunidades e o turismo responsável são trabalhados de forma conjunta.
Segundo as organizações responsáveis pelo programa, a maior parte das áreas que já havia recebido a designação era formada por territórios marinhos. O Parque do Mico é o primeiro destino terrestre a alcançar o reconhecimento, ampliando a atuação da iniciativa para ecossistemas em terra.
Reconhecimento destaca conservação da Mata Atlântica
O Parque Ecológico Mico-Leão-Dourado está diretamente ligado à proteção do habitat da espécie e à conservação da Mata Atlântica. O local oferece trilhas, mirantes, atividades de educação ambiental e experiências de observação do mico em vida livre, com acompanhamento para evitar impactos sobre os animais.
Entre as estruturas do parque está um viaduto vegetado construído para permitir a travessia segura dos animais sobre a BR-101. A estrutura contribui para conectar áreas de Mata Atlântica e facilitar o deslocamento dos micos entre diferentes fragmentos de floresta.
A área também conta com ações de restauração florestal e agrofloresta. Segundo a Associação Mico-Leão-Dourado, os recursos obtidos com a visitação são reinvestidos no programa de conservação da espécie.
Programa reúne conservação e turismo responsável
A proposta das Áreas de Patrimônio da Vida Selvagem é reconhecer locais que oferecem experiências de contato com animais silvestres sem exploração ou práticas que coloquem a fauna em risco.
De acordo com Rodrigo Gerhardt, gerente de Vida Silvestre da Proteção Animal Mundial, o programa contribui para a conservação de mais de 40 espécies em diferentes partes do mundo. Cerca de 14 delas estão classificadas como ameaçadas na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
A designação do Parque do Mico também valoriza o trabalho de educação ambiental desenvolvido no local. A proposta é aproximar os visitantes da espécie e do ambiente em que ela vive, mostrando os desafios de conservação e a importância da preservação da floresta.
Mico-leão-dourado já esteve à beira da extinção
O reconhecimento ocorre após décadas de esforços para evitar o desaparecimento do mico-leão-dourado. Na década de 1970, a população da espécie na natureza chegou a menos de 200 indivíduos, principalmente em consequência da perda e fragmentação do habitat e da captura de animais para o comércio ilegal.
Desde então, projetos de proteção das áreas de Mata Atlântica, restauração de florestas, criação de corredores ecológicos, reprodução em cativeiro e reintrodução de animais ajudaram na recuperação da espécie.
O mico-leão-dourado, no entanto, continua classificado como ameaçado de extinção pela IUCN. Entre as principais ameaças estão a perda e fragmentação do habitat, a expansão de estradas e o tráfico de animais silvestres. A espécie também sofreu impactos de surtos de febre amarela, que provocaram uma forte redução populacional entre 2017 e 2018.
Parque amplia importância para a conservação
O Parque Ecológico Mico-Leão-Dourado foi criado com a proposta de aproximar o público das ações de preservação da espécie e da Mata Atlântica. A área também funciona como espaço de educação ambiental, com atividades voltadas para estudantes, pesquisadores e visitantes.
Além das trilhas e experiências de observação, o parque mantém uma exposição permanente sobre a história da conservação do mico-leão-dourado e promove atividades relacionadas à restauração florestal, agroecologia e biodiversidade.
Com a nova designação, o trabalho desenvolvido em Silva Jardim passa a integrar uma rede internacional voltada ao turismo responsável e à proteção da vida selvagem. O reconhecimento também amplia a visibilidade do parque e do trabalho de conservação realizado na região.















