O material fomentou uma busca entre 2018 e 2022 que somou 114 detecções, com 89 observações visuais, a maior parte delas dentro do parque. Além disso, os pesquisadores coletaram três indivíduos – um macho e duas fêmeas – encontrados mortos e confiscados de caçadores, que serviram de base para descrição. As análises das características físicas, crânio, e dos dentes, combinada com a genética e as vocalizações deram a confirmação inconteste da identificação de um novo macaco. É apenas a quinta espécie de primata descoberta no continente africano nos últimos 75 anos. Em todo continente são conhecidas mais de 200, que correspondem a cerca de 43% da biodiversidade de primatas do mundo.

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A descrição foi publicada em artigo no periódico PLOS One, com acesso aberto, assinado por um time internacional de 11 cientistas.

A nova espécie vive em florestas maduras, com árvores altas e dossel fechado. Considerado de pequeno porte dentro do gênero (os exemplares coletados mediam cerca de 1,2 metro da cabeça à ponta da cauda, sendo mais de 70 cm só de cauda), o misterioso macaco foi encontrado na remota região entre os rios Lomami e Lilo, na bacia do alto Congo, no centro-leste da República Democrática do Congo, uma das regiões de maior importância biológica da África Central, com uma área de vida estimada em 1.700 km², menor que a média dos colobos.

“Essa descoberta é ao mesmo tempo empolgante e profundamente pessoal, destacando a extraordinária biodiversidade da minha terra natal e o quanto ainda permanece pouco estudada”, reforça Junior Amboko, um dos autores do artigo e pesquisador local e explorador da National Geographic. “Tive a honra de batizar a espécie de ‘Colobus congoensis’, em reconhecimento ao notável patrimônio natural da Bacia do Congo e, acreditamos, marcando o primeiro primata a receber o nome da própria República Democrática do Congo – ressaltando tanto sua importância global quanto o orgulho local”, completa.