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Sustentabilidade como prioridade

Apenas 1 em cada 10 estudantes vê sustentabilidade como prioridade; escolas testam caminhos para virar o jogo

Levantamento nacional revela baixa percepção ambiental entre adolescentes, enquanto escolas públicas desenvolvem projetos práticos para integrar sustentabilidade
Escolas tentam estratégias para ampliar conhecimento sobre meio-ambiente e sustentabilidade — Foto: Divulgação

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Mesmo diante da intensificação da crise climática, a sustentabilidade ainda ocupa um espaço secundário na formação escolar dos adolescentes brasileiros. Dados da Escuta Nacional das Adolescências nas Escolas indicam que apenas um em cada dez estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental considera sustentabilidade e meio ambiente temas importantes. O percentual varia entre 11% e 13%, conforme a série, em um universo de mais de 2,3 milhões de alunos de todo o país.

O levantamento foi realizado pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), a União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e o Itaú Social, e mostra que disciplinas tradicionais, como Língua Portuguesa, Matemática e Ciências, concentram a maior parte do interesse dos estudantes.

Currículo fragmentado

Para o coordenador de Desenvolvimento e Estudos do Itaú Social, Alexandre Moreira, o dado não deve ser interpretado como desinteresse dos jovens, mas como reflexo da forma como a temática ambiental é tratada no ambiente escolar. “Este dado da Escuta Nacional das Adolescências é um potente indicativo de que a educação ainda precisa superar a fragmentação curricular para conectar a sustentabilidade à realidade e às aspirações dos jovens”, afirma.

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Segundo ele, a abordagem isolada do tema dificulta sua assimilação como algo estruturante. “Frequentemente, o tema é tratado de forma isolada, mas ele deve ser o alicerce para compreendermos nossa profunda interdependência com a natureza: não somos apenas observadores externos, somos parte integrante do meio ambiente e nossa vida depende diretamente desse equilíbrio”.

Moreira defende que a responsabilidade não está nos estudantes, mas no desenho das políticas educacionais e na forma como o aprendizado é mediado. “Nosso papel enquanto sociedade civil é atuar como catalisador de mudanças estruturais nesse cenário, colaborando com o poder público para garantir que a escola seja um espaço de escuta e participação ativa desde a infância”.

Engajamento

Apesar do diagnóstico preocupante, experiências conduzidas em escolas públicas mostram que a sustentabilidade ganha importância quando deixa o plano abstrato e passa a dialogar com desafios mais visíveis. Um mapeamento do Itaú Social, em parceria com o Instituto Catalisador, identificou projetos interdisciplinares que integram ciência, tecnologia, artes e meio ambiente, conectando o aprendizado ao cotidiano dos estudantes.

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Essas iniciativas estão distribuídas por diferentes regiões do país, com experiências em cidades como Pojuca, na Bahia, Nova Lima, em Minas Gerais, Marabá, no Pará, e Cabrobó, em Pernambuco.

Nos projetos, a sustentabilidade aparece associada à robótica com reaproveitamento de lixo eletrônico, à produção de alimentos por meio de hortas hidropônicas, à reciclagem de resíduos e à integração entre arte, ciência e tecnologia. Em comum, as ações conectam o conteúdo curricular a problemas concretos do território, ampliam o engajamento dos estudantes e fortalecem a percepção de que a pauta ambiental faz parte da vida cotidiana — dentro e fora da escola.

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